O que é Hipertensão Intracraniana Idiopática ou Pseudotumor cerebral?

Tive um caso Hipertensão Intracraniana Idiopática (HII) que me marcou muito durante a Residência de Neurologia, porque é uma paciente muito resiliente e uma família extremamente unida que lutam até hoje contra esse problema muitas vezes negligenciado ou desconhecido por profissionais de saúde. Essa condição também pode trazer incapacidades permanentes. Por isso, não deixe de apoiar o projeto de lei que pede que a HII seja incluída entre as doenças consideradas incapacitantes. Para apoiar clique neste link: https://www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=102557

O que é Hipertensão Intracraniana Idiopática ou Pseudotumor cerebral?

Essa condição causa aumento da pressão dentro do crânio, por isso é chamada de pseudotumor cerebral. Os sintomas mais comuns são dor de cabeça frequente e perda de visão manifestando de forma semelhante a alguns tumores cerebrais.

O que causa a hipertensão intracraniana idiopática?

A causa exata da doença ainda é desconhecida. É uma doença mais comum em mulheres e pessoas obesas e alguns medicamentos parecem predispor a essa condição tais como tetraciclina, hormônio de crescimento e altos níveis de vitamina A. As teorias propostas são que ocorreria um distúrbio de drenagem do líquido cefalorraquidiano (líquido que envolve o cérebro e a medula), outra proposta é que haveria um distúrbio de drenagem venosa cerebral ou que a obesidade aumentaria a pressão intra-abdominal e consequentemente a intracraniana e, por último, alterações nos mecanismos que retenção de água e sódio e metabolismo da vitamina A.

Quais são os sintomas?

– Dores de cabeça muito intensas e que não melhoram – alguns pacientes descrevem que a dor é mais intensa atrás dos olhos.
– Períodos de perda de visão transitória – pode ocorre em um ou em ambos os olhos. Usualmente dura poucos segundos e pode acontecer esporadicamente ou várias vezes ao dia.
– Perda progressiva da visão.
– Dificuldade para enxergar os objetos que estejam nas extremidades laterais dos campos visuais.
– Visão dupla.
– Visão de “flashs” luminosos.
– Ruídos na cabeça – os sons ouvidos podem ser como de água corrente ou vento. Geralmente esse ruído é pulsátil no mesmo ritmo dos batimentos cardíacos.

Em alguns casos, o paciente pode ficar cego permanentemente.

Como é feito o diagnóstico?

– Exame do olho – o oftalmologista ou o neurologista podem usar aparelhos e testes especiais para avaliar o fundo do olho e os movimentos dos olhos. A maioria dos pacientes com HII apresenta edema perto do nervo óptico (papiledema).
– Campimetria visual- esse teste avalia como está a visão nas extremidades do campo visual indicando se a função do nervo óptico está normal.
– Exames de imagem cerebral (Ressonância Magnética ou Tomografia computadorizada) – esses testes são utilizados para investigar se a causa dos sintomas é outro problema que não seja a hipertensão intracraniana idiopática. Em geral na HII esses exames são normais.
– Punção lombar – esse procedimento é realizado por meio de uma agulha posicionada na região lombar para medir a pressão dentro do líquido cefalorraquidiano que envolve o sistema nervoso central (encéfalo e medula).

Como é o tratamento?

– Perda de peso- se o paciente é obeso, deve ser orientado a fazer dieta e atividade física para perder peso ou, quando indicado, realizar a cirurgia bariátrica.
– Medicamentos- alguns medicamentos podem ajudar a diminuir a produção do líquido cefalorraquidiano (acetazolamida, topiramato, furosemida, corticoide venoso). Também podem ser prescritos medicamentos que aliviem a dor de cabeça como analgésicos.
– Cirurgia- procedimentos cirúrgicos são indicados nos casos em que o tratamento clínico não surtiu efeito. Os procedimentos disponíveis são: Implante de derivação ventriculoperitoneal ou lomboperitoneal (um cateter é implantado dentro do cérebro ou em um compartimento abaixo da medula para drenagem do liquido cefalorraquidiano até o interior do abdome aliviando a pressão intracraniana); Fenestração de nervo óptico (neste procedimento uma bainha que cobre o nervo óptico é cortada para diminuir a pressão sobre o nervo óptico e prevenir a perda da visão).

Cerca de 25% das pessoas com HII têm risco de prejuízo grave da acuidade visual ou mesmo cegueira. Entre os pacientes que melhoram com tratamento cerca de 8-38% podem ter recorrência dos sintomas. O ganho de peso é uma causa comum de recorrência.

Texto por: Dra. Fernanda

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