Cirurgia para tratamento da epilepsia

Cirurgia para tratamento da epilepsia – Quais casos têm indicação?

Epilepsia é uma das doenças crônicas mais comuns e aproximadamente 20 a 30% dos pacientes com epilepsia têm incapacidades associadas a essa condição ou ao próprio tratamento.
Esses pacientes têm risco aumentado de diversas complicações como transtornos cognitivos (prejuízo da memória, concentração e raciocínio), depressão, trauma físico associado à queda ou ferimentos durante as crises até morte súbita pela epilepsia.
O objetivo do tratamento para pacientes com epilepsia resistente a medicamentos é tornar o paciente livre de crises, evitar efeitos colaterais de medicamentos e permitir que o indivíduo tenha uma vida social ativa.
A maioria das pessoas têm uma resposta favorável aos medicamentos antiepilépticos nos primeiros dois anos de tratamento. Pacientes que não respondem bem aos medicamentos são aqueles que apresentam epilepsia refratária e devem ser avaliados para a possibilidade de indicação de cirurgia ou outras modalidades de tratamento.
A cirurgia para a epilepsia é um tipo de tratamento muito importante e ainda subutilizado em pacientes com epilepsia resistente ao tratamento medicamentoso.
Os procedimentos cirúrgicos disponíveis são vários. Pode ser realizada a ressecção (remoção) da região cerebral responsável pela geração do fenômeno eletroquímico que desencadeia a crise e, em casos mais raros, a ressecção ou isolamento de um hemisfério cerebral inteiro ou de estruturas específicas cerebrais como o corpo caloso (uma estrutura que interliga os dois lados do cérebro). Esses dois últimos procedimentos são mais frequentemente realizados em crianças.
Em geral, os pacientes submetidos à cirurgia para a ressecção (remoção) completa da região epileptogênica cerebral ficam por muitos anos livres de crises.

Como é feita a avaliação pré-cirúrgica?

Os casos mais favoráveis ao tratamento cirúrgico são aqueles em que é identificada uma lesão cerebral localizada (focal) por meio da ressonância magnética que tenha correspondência com o foco onde se iniciam as descargas epilépticas.
Usualmente também é necessário que o paciente seja submetido a um exame chamado videoeletroencefalograma. Normalmente esse exame é realizado em ambiente hospitalar onde o paciente é monitorizado por pelo menos 24 horas com eletroencefalograma e uma câmera de vídeo para registro de crises epilépticas que eventualmente surjam. Assim é possível identificar com razoável precisão de onde partem os fenômenos elétricos cerebrais que desencadeiam as crises epilépticas (ou chamada, zona epileptogênica) e, dessa forma, planejar qual região cerebral será removida posteriormente durante o procedimento cirúrgico.
Para auxiliar na localização da zona epileptogênica e determinar a segurança da resseção dessa zona são utilizados testes neuropsicológicos e técnicas de localização funcional. Pode ser estimado, por exemplo, se lado normal do cérebro (aquele que não contém a zona epileptogênica) é suficiente para manter o funcionamento cognitivo normal do paciente após a cirurgia (reserva cognitiva).
Em algumas situações é necessário lançar mão de técnicas de neuroimagem funcional mais avançadas como PET (Tomografia por emissão de pósitrons), SPECT (Tomografia computadorizada por emissão de fóton único), MEG (Magnetoencefalografia) para confirmar a zona epileptogênica em pacientes com múltiplas lesões ou com ressonância normal.
Outros procedimentos mais invasivos de monitorização como a eletrocorticografia são indicados em casos selecionados em centros especializados em cirurgia para epilepsia.

Quais são os resultados esperados após a cirurgia?

Existem diversos fatores (preditores) relacionados à probabilidade de o paciente ficar livre de crises após a cirurgia. Por exemplo, os pacientes com um tipo de epilepsia muito comum chamada de epilepsia do lobo temporal tem bons resultados relacionados aos seguintes fatores:
– presença de uma lesão em uma parte do lobo temporal que pode ser removida na cirurgia;
– lesão em apenas um lado do cérebro;
– eletroencefalograma com alterações localizadas na mesma região correspondente à lesão;
– ter pouco tempo de diagnóstico antes da indicação da cirurgia.
Os resultados dependem de várias questões, principalmente associadas ao tipo de lesão cerebral, mas, na maioria dos casos, os pacientes ficam livres de crises ou têm a frequência de crises bastante diminuída.

Quais são os riscos?

As taxas de complicações das cirurgias para ressecção do lobo temporal são muito baixas, em torno de 10% em um estudo de uma base de dados mundial de 1988 a 2003.
As sequelas são raras e, quando ocorrem, as mais comuns são: déficits cognitivos leves (algum grau de perda de memória), defeitos parciais de campos visuais, problemas psicológicos como depressão.

A cirurgia cura a epilepsia?

A maioria dos pacientes que passam pela cirurgia não tem novas crises, porém necessitam manter pelo menos um medicamento para evitar recorrência dos episódios epilépticos. Isso traz um grande benefício em relação ao custo do tratamento e efeitos colaterais. São raros os casos em que não é necessário manter pelo menos um medicamento.

Qual é a vantagem de fazer a cirurgia?

A epilepsia refratária é uma condição que gera grandes impactos na funcionalidade, independência, autoestima e qualidade de vida da pessoa portadora desse problema, além disso há um risco importante de sequelas e mortalidade associado às crises não controladas. A cirurgia para tratamento da epilepsia, quando bem indicada, tem o potencial de transformar a vida do paciente tornando-o independente e livre de crises. Informe-se com o seu neurologista sobre o seu caso.

 

Texto por: Dra. Fernanda

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