Paralisia facial, o que é?

Paralisia facial ou Paralisia de Bell é uma condição em que o nervo que controla os músculos da face (nervo facial) sofre uma lesão que interrompe ou compromete o seu funcionamento. Assim, os músculos de um dos lados da face ficam fracos causando dificuldade para fechar o olho, paralisação dos movimentos da fronte, flacidez de um lado da boca e limitação para sorrir.

A paralisia de Bell é resultado de uma inflamação do nervo facial e o motivo da inflamação, na maioria das vezes, é desconhecido, porém sugere-se que a causa mais provável seja a ativação do vírus Herpes simplex. Outros vírus que também podem desencadear essa condição são Herpes zoster, Citomegalovírus e Epistein-Barr. A inflamação provoca edema (inchaço) no nervo facial que faz com que ele seja comprimido no pequeno canal ósseo por onde ele atravessa ao sair de dentro do crânio em direção aos músculos da face. Além disso, esse processo inflamatório e compressivo também danifica a mielina que é uma camada protetora do nervo, interferindo na transmissão dos impulsos nervosos que estimulam os movimentos dos músculos da face.

Alguns pacientes também queixam-se de desconforto no ouvido do mesmo lado da paralisia facial ao ouvirem sonos altos (hiperacusia). Outros podem perder a sensação do sabor dos alimentos na região anterior da língua do mesmo lado comprometido. Os sintomas surgem ao longo de 1 ou 2 dias. O diabetes e a gestação aumentam o risco de ocorrer a Paralisia de Bell.

Quais exames são necessários?

O diagnóstico é feito por meio da anamnese e do exame neurológico. Apesar de não ser necessário solicitar exame complementar em todos os casos, a Ressonância Magnética de Crânio com contraste pode mostrar sinais de inflamação no nervo facial em seu trajeto. A eletroneuromiografia também não é necessária para o diagnóstico, mas é um exame que pode auxiliar na avaliação do prognóstico da paralisia facial, pois, através de testes com pequenas agulhas, é possível avaliar o grau de comprometimento do nervo facial.

Como é feito o tratamento?

Alguns medicamentos podem ajudar na recuperação mais rápida dos pacientes, principalmente quando iniciado nos primeiros 3 dias de sintomas. O tratamento é feito com corticoides (como a prednisona) por 7 dias, pois têm o efeito de diminuir o inchaço do nervo. Medicamentos antivirais (como o valaciclovir), podem ser associados ao corticóide, especialmente nos casos com paralisia facial mais grave em que os estudos mostraram benefício do uso desse medicamento também por 7 dias. Um cuidado extremamente importante que deve ser orientado aos pacientes com dificuldade de fechar os olhos é o uso de colírios lubrificantes (lágrima artificial) várias vezes ao dia e a oclusão ocular durante a noite com pomadas ou protetores oculares. Esse cuidado previne o dano da córnea que pode ser irreversível comprometendo a visão permanentemente.
Estudos clínicos que avaliaram o efeito de diversas técnicas de fisioterapia mostram resultados variados. Exercícios faciais não diminuíram a proporção de pacientes com recuperação incompleta após 6 meses. Poucos estudos com baixa qualidade técnica demonstraram resultados positivos para exercícios faciais. Estimulação elétrica e acupuntura não demonstraram riscos ou benefícios comprovados.

Como é a resposta ao tratamento?

A maioria dos pacientes melhora em 3 semanas após o início dos primeiros sintomas e a recuperação pode continuar ao longo dos 6 meses seguintes. Se há melhora nos primeiros 21 dias, há grande chance de recuperação completa ou de fraqueza residual muito discreta nos músculos da face. A minoria dos pacientes pode ficar com sequelas moderadas a graves.
Se o dano ao nervo for muito grave, ele pode gerar uma recuperação desorganizada das fibras fazendo com que seja perdida a capacidade de controlar os movimentos da face separadamente, então, o paciente pode apresentar sincinesias como descritas abaixo:

-ao piscar a boca se move
-ao sorrir o olho fecha
-ao salivar (antes das refeições) lágrimas escorrem do olho.

Algumas dessas sequelas e assimetrias faciais podem ser amenizadas com aplicação de toxina botulínica (Botox).

Um segundo ou terceiro ataque da Paralisia de Bell é incomum, porém é descrito em cerca de 7-15% dos pacientes, sendo mais frequente em portadores de diabetes, pois é uma doença que também pode afetar os nervos.

Nervo facial - Anatomia

Nervo facial – Anatomia

 

Famosos com paralisia facial - Ayrton Senna

Famosos com paralisia facial – Ayrton Senna

 

Famosos com paralisia facial John Sudworth - Reporter da BBC Antes e depois

Famosos com paralisia facial John Sudworth – Reporter da BBC Antes e depois

 

Veja esta reportagem interessante sobre paralisia de Bell:
http://noticias.r7.com/saude/ficar-com-rosto-paralisado-e-mais-comum-do-que-se-imagina-saiba-o-que-pode-provocar-a-paralisia-de-bell-01022017

Texto por: Dra. Fernanda

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